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Paisagem Urbana e Qualidade de Vida

Por AmarilisOliveira em 12 de Dezembro de 2011. Categoria: Sociedade Visualizações: 47

Paisagem Urbana e Qualidade de Vida


Esse Artigo tem por objetivo fazer com que o leitor reflita sobre o crescimento urbano correlacionando-o com a vida das pessoas.

A PAISAGEM URBANA E A QUALIDADE DE VIDA

 

O DESENVOLVIMENTO URBANO DESORDENADO E AS PESSOAS

 

Amarilis Formigoni de Oliveira[1]

 

 

RESUMO

 

 

Esse Artigo tem por objetivo fazer com que o leitor reflita sobre o crescimento urbano correlacionando-o com a vida das pessoas, mais precisamente do trabalhador. Esse trabalhador que é responsável de uma forma ou de outra pela família imposta ou planejada, tem efeitos diretos por esse meio que chamamos “cidade”. Essa família ou grupo familiar que vem ocupando as moradias mal planejadas, mal compostas, mal formadas que compõem a paisagem urbana. O crescimento das cidades, a conurbação, ou seja a emenda das áreas urbanas com as rurais, de maneira desordenada vem acarretando  às pessoas algo que não se pode medir, é subjetivo, mas também extremamente nocivo. Se a fome e a miséria não fosse algo tão latente em nosso país, estaríamos trabalhando em Empresas que poluem ou que agem de maneira erronea com o espaço urbano ou rural? O meio em que vivemos pode nos influenciar positiva ou negativamente. A partir de pesquisas nesse campo nos anos 60, podemos afirmar que o Homem se comunica através de um processo sensorial, que é a construção do sentido em nossas mentes.

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

            A questão do crescimento urbano é largamente discutida por Arquitetos, Urbanistas, Geógrafos, até mesmo Psicólogos, profissionais do campo ou teóricos convictos. São várias as linhas de pensamento sobre o crescimento, mas a minha impressão sobre como esse crescimento desordenado que vivenciamos no Brasil, mais precisamente nos grandes centros urbanos, é de total desequilíbrio nas pessoas. Desequilíbrio psquico e físico.

Essa invasão que executamos diariamente nas cidades, passando por cima de áreas rurais, de matas nativas, põe em risco não só a natureza, mas o modo no meio em que vivemos.

Aziz Ab’ Sáber[2], um dos Geógrafos mais ativos do país defende a necessidade de um Megagerenciamento ecológico em longo prazo como única alternativa para atenuar a devastação ambiental no Brasil. Ele diz “Planejar o espaço construído só é possível com o entendimento do espaço natural...ao entender o que acontece no espaço natural é possível projetar o futuro e medir as consequências – afinal, é no futuro que existe a obra construída, assim como o impacto causado na cidade e em seus habitantes”.

Esses estudiosos, como num concenso, vêm preparando estratégias que envolvem vários fatores como, condições climáticas, geografia urbana de metrópoles sub desenvolvidas, proteção da biodiversidade, impacto do desenvolvimento urbano no ecossistema de uma determinada região e o impacto desses fatores no Homem.

Vicente del Rio (1990), um dos téoricos urbanos de maior importância no Brasil atualmente,  define: “Podemos afirmar que o processo cognitivo possui fases distintas: percepção (campo sensorial), seleção (campo da memória) e atribuição de significados (campo do raciocínio),  num curso que leva dois fins precisos, ou seja, ação e memorização. Além disto, é reconhecidamente um processo visual, pois dentre todos os nossos sentidos é a visão o mais prevalente.” Dessa maneira, deve-se considerar que o meio por nós construído tem influencia direta na percepção e concepção do  Homem.  O Homem, ser visual, capta o espaço através de imagens, fotografias mentais.

 

 

O HOMEM E A CIDADE

 

O desenho a seguir nos mostra as dificuldades do planejamento urbano, a diferença entre o que é real necessidade e o que é colocado em prática pelos órgãos públicos.

O poder público tem o poder legítimo de cuidar de nossa sociedade, mas o que vemos é uma série de erros grotescos, referências erradas, absurdo na administração pública, assinadas muitas vezes pelos eleitores. As pessoas deveriam dar “um passo atrás” em todas as esferas. Só deveríamos trabalhar em Empresas comprometidas com ideais de um mundo melhor. É claro que deveríamos primeiro, começar a olhar nossos lixos, ver o que estamos produzindo dentro de nossas casas. É assustador ver esse consumismo desenfreado que estamos vivendo. Compramos por comprar, sem uma real necessidade. Todo esse crescimento gera um acúmulo de lixo. É uma falta total de noção de realidade, de necessidade.

 

 

 

 

Ilustração 1 – Diferentes interpretações de um problema e modelos de soluções conflitivos entre técnicos e a população.  Ilustração de Jorge B. AZEVEDO baseado em anônimo.

 

 

 

O CONSUMISMO E O CONSUMIDOR

 

Hoje o mundo gira nessa roda gigante alucinadamente rápida das mudanças. Para acompanhar o último lançamento de um computador, uma notícia de um país vizinho ou afastado, precisamos estar sempre ligados à alguma geringonça eletrônica. Essa necessidade constante que o ser humano tem de se atualizar numa velocidade absurda faz com que o acelerador do consumismo seja acionado sem limites.

Nessa mesma velocidade compramos e jogamos fora, o que não tem mais utilidade vai para o lixo sem pestanejar. O que anos atrás era inimaginável, hoje é corriqueiro, banal. Ter um celular deixou de ser uma necessidade de comunicação para se tornar uma obrigatoriedade.

A competição se tornou algo automático, competimos com os amigos, vizinhos, colegas de trabalho e até irmãos. Temos que “ter”, não importa como, essa luta é diária para o trabalhador, o “ter” se tornou mais importante que o “ser”.

            Onde estão nossas raízes? Por certo escondidas em baixo dessa grama plástica que o regamos todos os dias. É triste constatarmos que fazemos parte desse falso verniz, desse crescimento de consumo exagerado.

 

 

OBSERVAÇÃO DO MEIO EM QUE VIVEMOS

 

 

Ao fazer uma análise da cidade de Jundiaí, por exemplo, nos deparamos com uma mudança tão cruel e devastadora. A Serra so Japi se tornou um atrativo para centenas de pessoas que vieram de várias outras cidades, mais constantemente de São Paulo, pessoas que querem um pedacinho dessa exuberante natureza que a Serra do Japi atrai. Mas é triste ver que a especulação imobiliária, a má administração pública e a cegueira em geral do ser que quer ter a qualquer custo, fizeram com que Jundiaí se tornasse uma cidade de exploração vaga, ou seja, próxima de São Paulo, mas como mesmo inferno diário que os moradores da grande metrópole vivem. O trânsito, as obras constantes, um condomínio encostando em outro de maneira irresponsável .

Será que estamos pensando no futuro, no amanhã, nas crianças? O egoísmo do Homem é o que consome o Homem. O fator “ter” se tornou absurdamente maior que o “ser”, só nós não percebemos.

Na análise fria do entorno que uniu urbano e o rural, a paisagem é devastadora, bruta. Não podemos nos conformar com a maneira que as coisas vêm sendo conduzidas pelos órgãos públicos e pelos eleitos por nós. Até quando vamos deixar que derrubem as árvores e que emendem um “condomínio ecológico” com as nossas serras e nossos rios?

Liberdade é um conceito que não se conquista com carros blindados e muros altos. Dessa maneira estamos sobrevivendo às cidades, e não fazendo parte delas.

 

 

A PAISAGEM E A QUALIDADE DE VIDA

 

 

O que podemos relacionar entre a paisagem urbana e a qualidade de vida, a meu ver, é uma série de fatores que influenciam negativamente em um  trabalhador no trajeto de volta pra casa. Por exemplo, a área de conurbação, ou seja, áreas urbanas que se emendam suprimindo as áreas rurais são em geral mal planejadas, ou sem projeto algum. O estado psíquico de um trabalhador ao sair de uma indústria, muitas vezes, já angustiado por uma situação sócio-econômica ruim, ao passar de trem por essas áreas, sente a opressão do meio.

Segundo, a Profª Dora Arantes, O fato é que não podemos mais avançar em direção ao crescimento desenfreado das cidades. Penso que passou da hora de recuarmos. Noto isso ao viajar de trem de Jundiaí a São Paulo, é preocupante a maneira como as cidades estão se emendando. Fica muito nítida essa preocupação num trecho próximo à cidade de Francisco Morato, onde você consegue enxergar perdida em meio a um monte de casas, uma casinha antiga, que em outra época deve ter sido ocupada por um sitiante, provavelmente o ex-dono daquelas terras. Hoje a paisagem é feia, cheia de lixo, sem árvores, sem a água, sem os pássaros, sem vida. A não ser a vida sofrida dos atuais moradores da favela que cresceu em volta a essa casinha. E esses moradores muitas vezes sem pensar invadem áreas de mananciais, destruindo a própria vida”.

A percepção do Homem ao passar o dia em um ambiente opressor,  no trajeto, ou chegando em uma moradia tão improvisada quanto às vistas no caminho, é de desconforto, desalento e muitas vezes se reflete em violência. A violência urbana pode sim ser um refelexo desse meio.

Estudos nesse campo, da influência do entorno da moradia no psíquico do ser humano datam do início dos anos 60, onde as primeiras pesquisas feitas nos Estados Unidos por Urbanistas revelaram que não é só o edifício, o espaço construído que muda a percepção, mas o entorno, a paisagem.

O poder público deveria ao menos consultar a população de uma forma mais coerente para execução de projetos básicos, como pequenos parques em bairros ou até mesmo de infra-estrutura viária. Há uma grande lacuna entre o que é construído e o que é real necessidade da população.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

Dentre os temas levantados nesse Artigo, alguns aspectos se destacam e as observações permitem algumas considerações:

  • A participação da sociedade como um todo para a melhoria das cidades e dos Planos Diretores são fundamentais para o sucesso dos mesmos, sem essa ponte de comunicação entre as pessoas e o poder público, torna-se inviável qualquer forma de mudança;
  • A construção de parcerias público-privado é fundamental para garantir o desenvolvimento de programas e projetos de desenvolvimento sustentável;
  • O conceito se constrói na sua aplicação, portanto temos que pôr em prática o que está no papel, deixar o discurso e fazer valer nosso papel nessa sociedade, para que possamos cobrar e também cumprir.

Como Jundiaí foi a cidade escolhida para estudo de caso, cito abaixo alguns exemplos dos temas desse trabalho.

  1. A exploração imobiliária principalmente no entorno da Serra do Japi;
  2. A especulação imobiliária que fez o valor médio dos imóveis triplicar em 5 anos;
  3. A falta de estrutura da cidade, que já se complica em relação ao trânsito, hospitais, lazer, etc
  4. Jundiaí também agrega um conjunto de cidades que usam dessa já mal formada e insuficiente estrutura;
  5. A área Industrial que cresce sem ter muitos investimentos ou programas de incentivo público-privado. Há apenas incentivos para atrair e manter essas Indústrias;
  6. A nítida mudança na paisagem rural, dando espaço aos Condomínios, comércios e estradas.
  7. E por fim, mas não menos importante, a consumação da Serra do Japi, símbolo da cidade,  que vem sendo tema há anos de discussões dos órgãos púbicos e da iniciativa privada. A Serra vem sendo tratada comercialmente, e issso é preocupante.

 

 

 

 

 

Ilustração 2 – Serra do Japi.

 

 

 

Referências:

AB’SÁBER, AZIZ NACIB. , Um breve futuro da Natureza. Revista AU. Jun 2009.

del rio, VICENTE. , Desenho Urbano. Editora PINI.1990.

ARANTES, DORALICE., Um passinho atrás, por favor!. Concurso de redação Secretaria de Cultura de Jundiaí. 2009.

< http://www.fundaj.gov.br/tpd/140.html > Acesso em 15 de maio de 2011.

< http://www.jundiaionline.com.br/noticias/Palestra-aborda-Serra-do-Japi-90> Acesso em 04 de dezembro de 2011.

 



[1] Aluna do MBA em Engenharia de Pessoas da Faculdade de Tecnologia Prof. Luiz Rosa – Jundiaí – SP. Orientação Prof. Marco A Paletta

[2] Retirada da Revista AU, de uma entrevista dada à repórter Simone Sayegh em 2008.

Fonte: Referências: AB’SÁBER, AZIZ NACIB. , Um breve futuro da Natureza. Revista A

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